"Entender pessoas é algo que ninguém sabe ou gosta de fazer. Cheguei a essa conclusão. Mesmo que consigamos, não vai ser algo de que nos orgulhemos, já que sempre vão sobrar dúvidas.
Pessoas que nos foram sempre positivas e que aparecem, como que do nada à nossa porta, com cara de bosta e humor de assoalho. Pessoas que resmungam sem porquê e contaminam conscientes. Que imploram por ajuda sem saber, mas não sorriem quando são consoladas. E se sorriem, fingem um sarcasmo burro e pegajoso. Falso em essência.
Como sempre escrevi, a eterna teimosia em acreditar que o que se pensa e sente vai vir em recíproca. Vai ser transmitido pelo ar afora, vai contaminar corações e mentes...toda essa balela tilelê do caralho. Não vão, por mais que esperemos isso.
De qualquer forma, sigo feliz, já que aprendi outra lição."
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
"Sair com mais de um destino e um meio único de transporte. Sair para olhar e ouvir o que a cidade te deixa à mostra, o que ela insiste em te mostrar e você teima em não admitir.
Um bom punhado de ruas que te permitem deslizar, andar e cair.
Um outro punhado, por enquanto maior, de árvores e sombras e folhas que te acolhem no caminho.
Foi possível ver a cidade agindo de noite. Existindo, num domingo à noite, com todos seus componentes que nem sempre se evidenciam nas imagens cotidianas. Talvez mais evidentes nas imagens que nos chegam de outras capitais. Outras capitais mais cantadas, de forma urbana, que se amoldam às vivências que resolvemos inserir e que se adaptam às vivências nossas de cada dia.
No sossego que a música escolhida te traz, refazem-se condutas, promessas e apostas. Define-se parâmetros e coisas a serem refeitas. As ruas, vazias, de certa forma, te levam a parar nas esquinas e imaginar outras ruas tão singulares quanto aquelas que criaram a intersecção.
Nessa noite toda conheci uma janela nova. Lá tive um vislumbre de um potencial alguém. Na mesma janela, deixei também uns suspiros e uns olhares distantes. Suspiros meus pra mim mesmo.
Quando voltarei ainda não sei.
Nem quero saber."
Um bom punhado de ruas que te permitem deslizar, andar e cair.
Um outro punhado, por enquanto maior, de árvores e sombras e folhas que te acolhem no caminho.
Foi possível ver a cidade agindo de noite. Existindo, num domingo à noite, com todos seus componentes que nem sempre se evidenciam nas imagens cotidianas. Talvez mais evidentes nas imagens que nos chegam de outras capitais. Outras capitais mais cantadas, de forma urbana, que se amoldam às vivências que resolvemos inserir e que se adaptam às vivências nossas de cada dia.
No sossego que a música escolhida te traz, refazem-se condutas, promessas e apostas. Define-se parâmetros e coisas a serem refeitas. As ruas, vazias, de certa forma, te levam a parar nas esquinas e imaginar outras ruas tão singulares quanto aquelas que criaram a intersecção.
Nessa noite toda conheci uma janela nova. Lá tive um vislumbre de um potencial alguém. Na mesma janela, deixei também uns suspiros e uns olhares distantes. Suspiros meus pra mim mesmo.
Quando voltarei ainda não sei.
Nem quero saber."
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
"A chuva agora vem em intervalos imprevisíveis, sempre surpreendente e reconfortante. Intervalos que se mostram necessários, precisos. Tenho achado sempre um bom motivo na chuva. Uma razão justa que me faça não desgostar ou maldizer os temporais de primavera quase verão.
Acaba que tenho mais visto e ouvido que tomado essas chuvas todas, de longe, do alto, quando, em certas horas, gostaria de estar me encharcando lá embaixo, levando pedradinhas de granizo na careca. Da janela tenho assistido às chuvaradas que molham a escrivaninha, que me fazem tirar o passarinho da janela e tirar as tomadas da parede."
Acaba que tenho mais visto e ouvido que tomado essas chuvas todas, de longe, do alto, quando, em certas horas, gostaria de estar me encharcando lá embaixo, levando pedradinhas de granizo na careca. Da janela tenho assistido às chuvaradas que molham a escrivaninha, que me fazem tirar o passarinho da janela e tirar as tomadas da parede."
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
"Na hora de ficar quieto todos se perguntam os porquês. Me perguntam o que houve, o que me fizeram, quem foi e que dia.
Mas tem hora que só ficamos quietos. Só. Por ficar mesmo, por não ver necessidade em falar mais. Não há a urgência de dizer. Basta o calar. Calar da voz e dos ouvidos. Um estado de silêncio em duas vias, da parte de quem diz e de quem escuta.
Uns chamam de tristeza, outros depressão, alguns de orgulho ou frescura. Mas acho que não se trata de nada parecido.
Tem hora que penso ser só passageiro, tem hora que tenho medo que tudo que já foi volte a assombrar. E no fim das contas, chego à conclusão que não é nada mais que uma vontade de ouvir o que faz som por dentro. Ouvir o que fica abafado enquanto escutamos os outros e aos outros.
É hora de ouvir-se mais."
Mas tem hora que só ficamos quietos. Só. Por ficar mesmo, por não ver necessidade em falar mais. Não há a urgência de dizer. Basta o calar. Calar da voz e dos ouvidos. Um estado de silêncio em duas vias, da parte de quem diz e de quem escuta.
Uns chamam de tristeza, outros depressão, alguns de orgulho ou frescura. Mas acho que não se trata de nada parecido.
Tem hora que penso ser só passageiro, tem hora que tenho medo que tudo que já foi volte a assombrar. E no fim das contas, chego à conclusão que não é nada mais que uma vontade de ouvir o que faz som por dentro. Ouvir o que fica abafado enquanto escutamos os outros e aos outros.
É hora de ouvir-se mais."
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
A função das coisas
"Outro dia me veio à cabeça a função das coisas, mais precisamente do alpendre.
Alpendre, varanda, sacada...todos com as mesmas. várias funções.
No caso, agora serviria para fingir que sumi, que desfiz em poeira, pra longe desse ruído que me cerca: tevê, máquina de lavar, torneira. Tudo isso rodeia de uma forma tão ensurdecedora que chegar a fazer suar, palpitar. Com certeza seria um bom lugar pra se esconder, no escurinho, olhando a rua, os carros, as gentes, seja no mesmo nível, seja lá de cima, do alpendre suspenso do prédio.
Serve também para sentar depois do almoço, aquele almoço. Sentar e deixar o tempo passar enquanto se saboreia os últimos estalos dos temperos. Sentar para não "fixar a vista" depois de comer, pra não passar mal - sempre diz a minha mãe. Sentar e pensar que rumo tomará a tarde, a noite. O domingo ou mesmo a segunda-feira corrida. um bom alpendre, quaisquer cinco minutos revigoram como banho de cachoeira ou cerveja gelada na ressaca.
Falando nisso, foi no meu alpendre-varanda que tomei as melhores cervejas de minha vida, com meus grandes amigos, que sentem a falta de tal cômodo tanto quanto eu. E foi sentado no sofá ali espremido que trouxe pão quente e café recém coado para aquela que realmente mereceu. Café com pão com Coltrane. E aquilo venceu até a chuva que caía tentando nos intimidar. Me vence no quesito saudade até hoje.
Alpendre é para sentar no canto, desenhar no chão e engatinhar. É pro cachorro esfriar a barriga numa tarde calorenta. É para lavar no sábado cedo e ficar olhando a água evaporar rápido. É pra mudar móvel de lugar, debruçar na grade, sentar nos degraus. É para juntar todo mundo e tirar foto, é pra onde duas pessoas sempre vão, numa festa de casa cheia, se por acaso ainda não são um casal.
Queria um alpendre assim, portátil, para carregar para o serviço, para lugares onde ele se faz necessário.
Lugar onde o silêncio é cobertor, onde a saudade senta do lado e o amor flui pelos poros."
Alpendre, varanda, sacada...todos com as mesmas. várias funções.
No caso, agora serviria para fingir que sumi, que desfiz em poeira, pra longe desse ruído que me cerca: tevê, máquina de lavar, torneira. Tudo isso rodeia de uma forma tão ensurdecedora que chegar a fazer suar, palpitar. Com certeza seria um bom lugar pra se esconder, no escurinho, olhando a rua, os carros, as gentes, seja no mesmo nível, seja lá de cima, do alpendre suspenso do prédio.
Serve também para sentar depois do almoço, aquele almoço. Sentar e deixar o tempo passar enquanto se saboreia os últimos estalos dos temperos. Sentar para não "fixar a vista" depois de comer, pra não passar mal - sempre diz a minha mãe. Sentar e pensar que rumo tomará a tarde, a noite. O domingo ou mesmo a segunda-feira corrida. um bom alpendre, quaisquer cinco minutos revigoram como banho de cachoeira ou cerveja gelada na ressaca.
Falando nisso, foi no meu alpendre-varanda que tomei as melhores cervejas de minha vida, com meus grandes amigos, que sentem a falta de tal cômodo tanto quanto eu. E foi sentado no sofá ali espremido que trouxe pão quente e café recém coado para aquela que realmente mereceu. Café com pão com Coltrane. E aquilo venceu até a chuva que caía tentando nos intimidar. Me vence no quesito saudade até hoje.
Alpendre é para sentar no canto, desenhar no chão e engatinhar. É pro cachorro esfriar a barriga numa tarde calorenta. É para lavar no sábado cedo e ficar olhando a água evaporar rápido. É pra mudar móvel de lugar, debruçar na grade, sentar nos degraus. É para juntar todo mundo e tirar foto, é pra onde duas pessoas sempre vão, numa festa de casa cheia, se por acaso ainda não são um casal.
Queria um alpendre assim, portátil, para carregar para o serviço, para lugares onde ele se faz necessário.
Lugar onde o silêncio é cobertor, onde a saudade senta do lado e o amor flui pelos poros."
terça-feira, 16 de novembro de 2010
e assim, renascendo, se compra o pão de manhã.
"É hora de andar com as próprias pernas, sem esperar que outras te acompanhem. Não que isso seja ruim, mas que no momento não urge. Não deixa o tempo mais lento, não no sentido que preciso ter.
É a hora de pular o muro e correr pelo terreno cheio de mato da descoberta e da falta de pressa. Tal como fazíamos quando pequenos. O universo do conhecer não tem limites e te empurra cada vez mais adiante. Nesse universo, estar só ou acompanhado é opção. E ambas são excelentes escolhas.
Escolhas de amar de forma imprudente, leviana, talvez. Escolha de seguir o caminho e escolher pela adversidade do cascalho e rispidez da água gelada.
Resolução indefinida do que se quer, mas certeza absoluta de onde se vai e como vai chegar. Certeza plena de calos e tropeços. De chuva fria, de noite lamaçenta. De lua pálida lá em cima, mas de campo limpo e silencioso cá embaixo, em frente aos olhos.
Outros olhos que te vigiam de longe e de perto, mais perto que se gostaria, mas escondidos da vista que se encheria de júbilo e surpresa e medo.
Vidas de todos os tamanhos e origens, sem pressa por vivê-las, sem medo que possam acabar.
Trechos longos a transpor, que vão te consumir em dores nas costas e suor no peito. Cama que te espera, te acolhe como um ninho, chuveiro que te benze, como o céu.
Tudo isso tenho pela frente.
E tudo isso não troco por nada."
É a hora de pular o muro e correr pelo terreno cheio de mato da descoberta e da falta de pressa. Tal como fazíamos quando pequenos. O universo do conhecer não tem limites e te empurra cada vez mais adiante. Nesse universo, estar só ou acompanhado é opção. E ambas são excelentes escolhas.
Escolhas de amar de forma imprudente, leviana, talvez. Escolha de seguir o caminho e escolher pela adversidade do cascalho e rispidez da água gelada.
Resolução indefinida do que se quer, mas certeza absoluta de onde se vai e como vai chegar. Certeza plena de calos e tropeços. De chuva fria, de noite lamaçenta. De lua pálida lá em cima, mas de campo limpo e silencioso cá embaixo, em frente aos olhos.
Outros olhos que te vigiam de longe e de perto, mais perto que se gostaria, mas escondidos da vista que se encheria de júbilo e surpresa e medo.
Vidas de todos os tamanhos e origens, sem pressa por vivê-las, sem medo que possam acabar.
Trechos longos a transpor, que vão te consumir em dores nas costas e suor no peito. Cama que te espera, te acolhe como um ninho, chuveiro que te benze, como o céu.
Tudo isso tenho pela frente.
E tudo isso não troco por nada."
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Hora de escrever
"Hora de escrever. Não me pergunte por quê. Só sei que bateu a vontade, creio que na hora certa.
No sábado eu descobri que havia renascido. Assistir a uma aula que, em certo momento, parecia um espelho, um retrato. Um dia todo de desafios, de cobranças e mudanças de atitude. Um dia inteiro em que as ações foram acertadas, infalíveis. Impensadas a seu modo, sem deixar dúvida ou arrependimento.
Ainda no sábado, curti a tarde e a noite, que terminou cedo parecendo que era tarde. Curti as conversas, acontecidas ou não. Curti os sorrisos, os cabelos e as risadas. Tudo regado a chuva, regado a vento e a um horizonte branco de nuvens.
Esse renascimento me levou e ainda leva, durante a semana. Curando as tristezas antes que elas cheguem, abrindo o abraço sem saber quem vai estar dentro.
Me toca de leve, como roçar de folha caindo da árvore, ou respingo de chuva na janela do ônibus - desperta sem assustar.
Esse renascer recarrega o ânimo, estimula a continuar sendo o que se acredita, olhando em frente, para aquilo que talvez se deva.
Encoraja a explicitar seus sentimentos, encoraja a tomar coragem e a perder o medo da perda. Antecipa a alegria, mesmo que advinda de resultados não tão alegres.
Esse renascimento muda tudo. Em mim e ao redor.
Muda o tom da paisagem, o cheiro das coisas e o tamanho das horas.
Encolhe as distâncias, estreita os laços e aperta o coração."
No sábado eu descobri que havia renascido. Assistir a uma aula que, em certo momento, parecia um espelho, um retrato. Um dia todo de desafios, de cobranças e mudanças de atitude. Um dia inteiro em que as ações foram acertadas, infalíveis. Impensadas a seu modo, sem deixar dúvida ou arrependimento.
Ainda no sábado, curti a tarde e a noite, que terminou cedo parecendo que era tarde. Curti as conversas, acontecidas ou não. Curti os sorrisos, os cabelos e as risadas. Tudo regado a chuva, regado a vento e a um horizonte branco de nuvens.
Esse renascimento me levou e ainda leva, durante a semana. Curando as tristezas antes que elas cheguem, abrindo o abraço sem saber quem vai estar dentro.
Me toca de leve, como roçar de folha caindo da árvore, ou respingo de chuva na janela do ônibus - desperta sem assustar.
Esse renascer recarrega o ânimo, estimula a continuar sendo o que se acredita, olhando em frente, para aquilo que talvez se deva.
Encoraja a explicitar seus sentimentos, encoraja a tomar coragem e a perder o medo da perda. Antecipa a alegria, mesmo que advinda de resultados não tão alegres.
Esse renascimento muda tudo. Em mim e ao redor.
Muda o tom da paisagem, o cheiro das coisas e o tamanho das horas.
Encolhe as distâncias, estreita os laços e aperta o coração."
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