sexta-feira, 12 de março de 2010
"Uma caixa de fitas cassete. Em cima do guarda roupa. Várias, algumas novinhas, com capa e encarte, outras daquelas tradicionais, compilações de várias bandas, discos inteiros gravados, as faixas anotadas na capinha, lado A e B, logotipo desenhado na lombada. Umas outras, avulsas, ganhadas, esquecidas e surrupiadas, até.
Documentam uma ou várias épocas, desde quando se começa a ouvir e descobrir música. Mostram um caminho percorrido.
Um dia em especial.
Uma tarde quente bem curtida, suada.
Uma briga ou discussão, emoldurada pelo som que ali estava, acidentalmente, e que reveste toda a situação com perfeição.
Uma cerveja sozinho num boteco qualquer, skate no pé, fone no ouvido.
Outro caminho, com paradas e abraços.
Outro boteco, desta vez entre amigos, o que faz com que a fita vá parar no aparelho do lugar, que faz com que seja tocada a plenos pulmões.
Caminho de volta, pilha acabando, rotação lenta, gutural quase.
Uma ida à escola, logo pela manhã, sono nos olhos ainda, o som faz papel de café.
No intervalo, sozinho, lá vai ela de novo. Ajuda a manter o olhar disperso, sem se demorar em nada ou ninguém.
Fita que chega pelo correio, sem a capa de plástico, mas envolta em adesivos e encartes.
Fitas emprestadas, mal gravadas, inaudíveis, mofadas.
Fitas que acompanham épocas, tocam as coisas.
Fazem parte, quando não se misturam com a vida, mesclam-se a tudo que passamos e fazemos, todos os dias.
Me pergunto se não nos embolamos em quilômetros de fita."
Documentam uma ou várias épocas, desde quando se começa a ouvir e descobrir música. Mostram um caminho percorrido.
Um dia em especial.
Uma tarde quente bem curtida, suada.
Uma briga ou discussão, emoldurada pelo som que ali estava, acidentalmente, e que reveste toda a situação com perfeição.
Uma cerveja sozinho num boteco qualquer, skate no pé, fone no ouvido.
Outro caminho, com paradas e abraços.
Outro boteco, desta vez entre amigos, o que faz com que a fita vá parar no aparelho do lugar, que faz com que seja tocada a plenos pulmões.
Caminho de volta, pilha acabando, rotação lenta, gutural quase.
Uma ida à escola, logo pela manhã, sono nos olhos ainda, o som faz papel de café.
No intervalo, sozinho, lá vai ela de novo. Ajuda a manter o olhar disperso, sem se demorar em nada ou ninguém.
Fita que chega pelo correio, sem a capa de plástico, mas envolta em adesivos e encartes.
Fitas emprestadas, mal gravadas, inaudíveis, mofadas.
Fitas que acompanham épocas, tocam as coisas.
Fazem parte, quando não se misturam com a vida, mesclam-se a tudo que passamos e fazemos, todos os dias.
Me pergunto se não nos embolamos em quilômetros de fita."
quarta-feira, 10 de março de 2010
"Quarenta minutos ou mais, todo dia, duas vezes, ida e volta. Numa boa, dá pra ir sentado, tranquilo até meu destino.
Tempo para acordar e começar a botar coisa nas linhas, coisa na cabeça.
Ouvindo coisas legais, cheias de palavras que ajudam a escolher coisas boas para incluir no cardápio do dia.
Ajuda a botar poesia no caminho, sabe?
Vendo o tamanho da cidade que não pára um segundo, desde cedo tudo acontecendo. Detalhes que devem passar despercebidos por alguns ou muitos. Percebo sorrisos em rostos ignorados e desconhecidos. Traz conforto ver que ainda existem espontaneidades no mundo.
Gente brincando com cachorro no ponto de ônibus, dando bom dia ao motorista, praças floridas e meio sonolentas. Padaria cheia, café cheirando longe e criança indo ao médico, de roupa nova e carrinho na mão. Isso na ida, cedo, tipo 7 da manhã.
Já na volta, a cabeça tá lotada, fervendo de idéias, conceitos e imagens. Planos para a parte da tarde, que vai ser recheada.
Lembro do que tem que ser feito, penso no que deve ter para o almoço...
Penso se alguém vai ligar ou se vou arriscar e ligar pra tal alguém pra causar sorriso e suspiro. De ambos os lados da linha.
Trânsito pauleira, buzina, pressa e paranóia. Tensão estampada na cara de todos. Acabam deixando passar detalhes também - bem-te-vi dando rasante para pegar inseto, casalzinho de velhinhos abraçados no banco da praça, sorrindo feito adolescentes um para o outro. Coisas legais de ver, já que nada anda e o calor aumenta.
Desço dois pontos antes, só pra me misturar na multidão, sumir nem que seja por alguns quarteirões..."
Tempo para acordar e começar a botar coisa nas linhas, coisa na cabeça.
Ouvindo coisas legais, cheias de palavras que ajudam a escolher coisas boas para incluir no cardápio do dia.
Ajuda a botar poesia no caminho, sabe?
Vendo o tamanho da cidade que não pára um segundo, desde cedo tudo acontecendo. Detalhes que devem passar despercebidos por alguns ou muitos. Percebo sorrisos em rostos ignorados e desconhecidos. Traz conforto ver que ainda existem espontaneidades no mundo.
Gente brincando com cachorro no ponto de ônibus, dando bom dia ao motorista, praças floridas e meio sonolentas. Padaria cheia, café cheirando longe e criança indo ao médico, de roupa nova e carrinho na mão. Isso na ida, cedo, tipo 7 da manhã.
Já na volta, a cabeça tá lotada, fervendo de idéias, conceitos e imagens. Planos para a parte da tarde, que vai ser recheada.
Lembro do que tem que ser feito, penso no que deve ter para o almoço...
Penso se alguém vai ligar ou se vou arriscar e ligar pra tal alguém pra causar sorriso e suspiro. De ambos os lados da linha.
Trânsito pauleira, buzina, pressa e paranóia. Tensão estampada na cara de todos. Acabam deixando passar detalhes também - bem-te-vi dando rasante para pegar inseto, casalzinho de velhinhos abraçados no banco da praça, sorrindo feito adolescentes um para o outro. Coisas legais de ver, já que nada anda e o calor aumenta.
Desço dois pontos antes, só pra me misturar na multidão, sumir nem que seja por alguns quarteirões..."
quarta-feira, 3 de março de 2010
"Todos os dias acordamos com sede. Sede de repor as idéias que os sonhos nos gastaram.
Hoje acordei com sede também, só que não sabia do quê.
O dia foi passando e, por mais que tentasse, nada de esclarecer o porquê da sede. Achando que fosse de café, nessa se foi uma garrafa. Não era.
Mil idéias na cabeça, que parecia um ponteiro de bússola perto de várias crianças com ímãs. Nada de foco ou concentração.
Sim e não, vai ou fica, volta ou desfaz, grava ou apaga.
Uma pausa que não pausou e tudo na mesma.
Vontade de parar o tempo, para poder botar tudo em seu lugar, colar tudo em seu lugar. Travar as engrenagens e não deixar nada mudar. Fica só na vontade, de novo.
Mudanças de idéia e completo desgosto e desânimo pela vida alheia. Desprezo, até.
Planos mantidos, pelo menos isso. Não dá pra descartar tão boa promoção!
Chance de ver novas formas de ver, ter outros meios de se ter o que nunca se sabe o que é, quando não se acredita em muita coisa mais, mesmo que por curtos instantes.
Necessidade de suprir faltas que não existem, ou existem e não se declararam.
Plena confusão e inquietação.
Dizem que a vida é ilusão, mas acho que não. É só isso que nós temos, e que teimamos em achar, inventar, rotular sentidos metafísicos e definições mais confusas ainda. Estranhas.
É olhar pela janela e enfiar na cabeça que não há nada lá além do que a vista alcança. Não há um mundo secreto, cheio de respostas brilhantes para perguntas intrigantes e singulares. Não há mistérios ou revelações. Só a paisagem da janela, sem tirar nem por.
O que vier é produto da sua vontade de colocar mais coisas do que cabe ali. Criar mais pontos de fuga, onde só existe um. E essa fuga não vai te levar a um lugar melhor ou mais macio. Não vai ser algo que te confortará. Não será bonito nem silencioso.
Não será nada além do que você pensa, sente e vê.
Só isso, por mais seco e duro que pareça.
Contentemo-nos."
Hoje acordei com sede também, só que não sabia do quê.
O dia foi passando e, por mais que tentasse, nada de esclarecer o porquê da sede. Achando que fosse de café, nessa se foi uma garrafa. Não era.
Mil idéias na cabeça, que parecia um ponteiro de bússola perto de várias crianças com ímãs. Nada de foco ou concentração.
Sim e não, vai ou fica, volta ou desfaz, grava ou apaga.
Uma pausa que não pausou e tudo na mesma.
Vontade de parar o tempo, para poder botar tudo em seu lugar, colar tudo em seu lugar. Travar as engrenagens e não deixar nada mudar. Fica só na vontade, de novo.
Mudanças de idéia e completo desgosto e desânimo pela vida alheia. Desprezo, até.
Planos mantidos, pelo menos isso. Não dá pra descartar tão boa promoção!
Chance de ver novas formas de ver, ter outros meios de se ter o que nunca se sabe o que é, quando não se acredita em muita coisa mais, mesmo que por curtos instantes.
Necessidade de suprir faltas que não existem, ou existem e não se declararam.
Plena confusão e inquietação.
Dizem que a vida é ilusão, mas acho que não. É só isso que nós temos, e que teimamos em achar, inventar, rotular sentidos metafísicos e definições mais confusas ainda. Estranhas.
É olhar pela janela e enfiar na cabeça que não há nada lá além do que a vista alcança. Não há um mundo secreto, cheio de respostas brilhantes para perguntas intrigantes e singulares. Não há mistérios ou revelações. Só a paisagem da janela, sem tirar nem por.
O que vier é produto da sua vontade de colocar mais coisas do que cabe ali. Criar mais pontos de fuga, onde só existe um. E essa fuga não vai te levar a um lugar melhor ou mais macio. Não vai ser algo que te confortará. Não será bonito nem silencioso.
Não será nada além do que você pensa, sente e vê.
Só isso, por mais seco e duro que pareça.
Contentemo-nos."
Inspired by a band
"A new life brings new hope
Brings new dreams and new deals
Deals of responsability and growth
Dreams, loves and wills..."
Brings new dreams and new deals
Deals of responsability and growth
Dreams, loves and wills..."
Pensamentos na cadeira
"Depois de tomar chuva e molhar até o cinto, lá está ele à espera da sua vez na sala do dentista, ou melhor, da dentista. Já começa bem, a bendita está atendendo numa sala que não é a dela. Bom, isso acontece - pensa.
Toma assento e fica, tentando não deixar transparecer sua cara de raiva, já que odeia se molhar de chuva, exceto em dias de calor, com os amigos e uma cerveja na mão. Enfim, se esforça e consegue manter um sorriso no rosto.
Mas, infelizmente, começa a prestar atenção aos barulhos do local - enceradeira, ventilador velho e conversas. Muita conversa onde observa-se placas e cartazes com a palavra SILÊNCIO por toda parte.
Repara que a maior parte da falação vem da sala onde justamente vai se consultar. E pior, a voz mais estridente e irritante é, obviamente, da dentista que vai atendê-lo.
Pronto, era o que faltava! Uma dentista que fala demais não deve ser legal. Imediatamente se questiona se ela usa máscara. A imagem de alguém sentado à sua cabeceira, falando alto e espalhando gotículas d'água por toda parte, inclusive seu rosto e boca, lhe causa um tremor na espinha, digno de Hitchcock.
Mas seu otimismo estava em alta, e logo tirou isso da cabeça quando foi chamado - ela estava de máscara.
Porém, notou que o consultório esteve aberto todo esse tempo, com duas ou três pessoas lá dentro, falando também.
Aiaiai, recitou como um mantra.
Entrou e viu-se diante de uma figura que em nada se parecia com um profissonal. Preferiu não se demorar olhando aquilo, para não ter que lembrar depois.
Assinou onde devia e sentou-se.
As perguntas de praxe, o babador de papel-toalha colocado torto e seus pés encharcados, lá na frente.
"Abra a boca; não, fecha um pouco."
"Vamos ver se o mocinho escova dente direito."
"Tá vendo ali? Tudo aquilo é placa bacteriana, sabe o que é isso?"
"E esse ciso? Ih, todos já romperam, mas não vão passar disso. Bom vai ser arrancar. Você já não é mais criança, isso vai te causar problema. Não importa o que os outros dentistas disseram, vai ter que arrancar os quatro! É, pelo jeito tá faltando é coragem, não? É já vi, é falta de coragem, mesmo. Se fosse eu, arrancava."
Na limpeza em si, com o tal jato de bicarbontao de sódio, sente os intrumentos levantando sua gengiva igual uma faxineira levanta o tapete. Delicada como um rinoceronte.
O falatório continua, em ritmo acelerado, ainda bem que de máscara
Quando sente que falta pouco, um deslize e lá vai o jato esfolar sua gengiva e o céu da boca e o fundo da língua. Arde como raspar a parte de cima dos dedos em uma parede de chapisco.
Palavrões vêm à tona, em alto em bom som, o mau humor de estar molhado se traduziu em uma cara de completo descontentamento. Vai cutucar assim a boca do teu pai, pensa, enquanto cospe a sangria, que a digníssima diz ser culpa da má escovação, e não da sua incompetência. E faz questão de repetir.
Por pouco não se levanta da cadeira e volta pra chuva.
Contém-se, respira e ganha mais um tanto de papel-toalha para se enxugar. Melhor seria uma toalha felpuda, mas até aquelas bem vagabundas, de motel, serviriam.
Pensa que talvez ela seja veterinária, e não dentista de gente. Descarta a idéia, respeita os veterinários demais para tal comparação.
Passa então a se perguntar quem trata dos dentes dela. Tomara que seja alguém igual. Ou pior.
Enxague com antisséptico bucal, pra fazer arder o que ainda não tinha ardido, com um comentário pra lá de babaca: "Tem um gostinho bom,né? Refrescante! Nesse calor é bom!"
Que calor, diabos?! Uma chuva do cão lá fora, frio faz dois dias, tempo nublado. Calor? Só se for do inferno de onde ela veio!
Lá vem o flúor "sabor-tutti-fruti-você-vai-ver-que-delícia". Lambuza também o nariz e o queixo.
Pede radiografia. Tira radiografia. Volta. Entrega. Ela olha no meio do corredor, pega a marmita e tchau. Pelo jeito, tudo certo.
É, acabou, pensa. Por sorte a chuva passou, e dor no céu da boca já mostra sinais de que vai diminuir.
Quando entra no ônibus se lembra da bandeja com os instrumentos, esterilizada e lacrada, que a maldita abriu no parapeito da janela..."
Toma assento e fica, tentando não deixar transparecer sua cara de raiva, já que odeia se molhar de chuva, exceto em dias de calor, com os amigos e uma cerveja na mão. Enfim, se esforça e consegue manter um sorriso no rosto.
Mas, infelizmente, começa a prestar atenção aos barulhos do local - enceradeira, ventilador velho e conversas. Muita conversa onde observa-se placas e cartazes com a palavra SILÊNCIO por toda parte.
Repara que a maior parte da falação vem da sala onde justamente vai se consultar. E pior, a voz mais estridente e irritante é, obviamente, da dentista que vai atendê-lo.
Pronto, era o que faltava! Uma dentista que fala demais não deve ser legal. Imediatamente se questiona se ela usa máscara. A imagem de alguém sentado à sua cabeceira, falando alto e espalhando gotículas d'água por toda parte, inclusive seu rosto e boca, lhe causa um tremor na espinha, digno de Hitchcock.
Mas seu otimismo estava em alta, e logo tirou isso da cabeça quando foi chamado - ela estava de máscara.
Porém, notou que o consultório esteve aberto todo esse tempo, com duas ou três pessoas lá dentro, falando também.
Aiaiai, recitou como um mantra.
Entrou e viu-se diante de uma figura que em nada se parecia com um profissonal. Preferiu não se demorar olhando aquilo, para não ter que lembrar depois.
Assinou onde devia e sentou-se.
As perguntas de praxe, o babador de papel-toalha colocado torto e seus pés encharcados, lá na frente.
"Abra a boca; não, fecha um pouco."
"Vamos ver se o mocinho escova dente direito."
"Tá vendo ali? Tudo aquilo é placa bacteriana, sabe o que é isso?"
"E esse ciso? Ih, todos já romperam, mas não vão passar disso. Bom vai ser arrancar. Você já não é mais criança, isso vai te causar problema. Não importa o que os outros dentistas disseram, vai ter que arrancar os quatro! É, pelo jeito tá faltando é coragem, não? É já vi, é falta de coragem, mesmo. Se fosse eu, arrancava."
Na limpeza em si, com o tal jato de bicarbontao de sódio, sente os intrumentos levantando sua gengiva igual uma faxineira levanta o tapete. Delicada como um rinoceronte.
O falatório continua, em ritmo acelerado, ainda bem que de máscara
Quando sente que falta pouco, um deslize e lá vai o jato esfolar sua gengiva e o céu da boca e o fundo da língua. Arde como raspar a parte de cima dos dedos em uma parede de chapisco.
Palavrões vêm à tona, em alto em bom som, o mau humor de estar molhado se traduziu em uma cara de completo descontentamento. Vai cutucar assim a boca do teu pai, pensa, enquanto cospe a sangria, que a digníssima diz ser culpa da má escovação, e não da sua incompetência. E faz questão de repetir.
Por pouco não se levanta da cadeira e volta pra chuva.
Contém-se, respira e ganha mais um tanto de papel-toalha para se enxugar. Melhor seria uma toalha felpuda, mas até aquelas bem vagabundas, de motel, serviriam.
Pensa que talvez ela seja veterinária, e não dentista de gente. Descarta a idéia, respeita os veterinários demais para tal comparação.
Passa então a se perguntar quem trata dos dentes dela. Tomara que seja alguém igual. Ou pior.
Enxague com antisséptico bucal, pra fazer arder o que ainda não tinha ardido, com um comentário pra lá de babaca: "Tem um gostinho bom,né? Refrescante! Nesse calor é bom!"
Que calor, diabos?! Uma chuva do cão lá fora, frio faz dois dias, tempo nublado. Calor? Só se for do inferno de onde ela veio!
Lá vem o flúor "sabor-tutti-fruti-você-vai-ver-que-delícia". Lambuza também o nariz e o queixo.
Pede radiografia. Tira radiografia. Volta. Entrega. Ela olha no meio do corredor, pega a marmita e tchau. Pelo jeito, tudo certo.
É, acabou, pensa. Por sorte a chuva passou, e dor no céu da boca já mostra sinais de que vai diminuir.
Quando entra no ônibus se lembra da bandeja com os instrumentos, esterilizada e lacrada, que a maldita abriu no parapeito da janela..."
terça-feira, 2 de março de 2010
"Pessoas sempre se escondem, inclusive eu. Escondem-se da vida todos os dias, rezando a cada passo que nada de inesperado apareça - pela frente ou pelas costas.
Tenho tentado não me esconder, não me esquivar, não evitar os confrontos, com a devida prudência.
Tenho deixado as lembranças virem e cobrarem seu preço, resgatarem seu lugar na memória. Isso me tem feito reler tais lembranças. Me tem feito rever emoções passadas, reavaliar as reações quando frente a tais eventos.
Tenho me ensinado a aceitar o que passei, não como injustiças, por mais que tenham sido, mas como lições de amor. Amor próprio e pelos outros.
Tenho repensado opiniões e e ocasiões. Tenho admitido que estas vieram em boa hora.
Repensado as oportunidades que vieram. Que só se tornaram reais porque assumi os riscos com um sorriso no rosto.
Repensado, também, as decisões que tomei, por vontade própria ou não. Que hoje vejo terem sido o mais sensato a fazer ou que acabou acontecendo. Como dizem, nada acontece por acaso.
Vejo que é isso que tenho a dizer, pelo menos por hoje é só."
Tenho tentado não me esconder, não me esquivar, não evitar os confrontos, com a devida prudência.
Tenho deixado as lembranças virem e cobrarem seu preço, resgatarem seu lugar na memória. Isso me tem feito reler tais lembranças. Me tem feito rever emoções passadas, reavaliar as reações quando frente a tais eventos.
Tenho me ensinado a aceitar o que passei, não como injustiças, por mais que tenham sido, mas como lições de amor. Amor próprio e pelos outros.
Tenho repensado opiniões e e ocasiões. Tenho admitido que estas vieram em boa hora.
Repensado as oportunidades que vieram. Que só se tornaram reais porque assumi os riscos com um sorriso no rosto.
Repensado, também, as decisões que tomei, por vontade própria ou não. Que hoje vejo terem sido o mais sensato a fazer ou que acabou acontecendo. Como dizem, nada acontece por acaso.
Vejo que é isso que tenho a dizer, pelo menos por hoje é só."
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