domingo, 29 de agosto de 2010

...

"Depois do sumiço de três dias, me chego à cadeira e vejo notícias e novidades de tirar o fôlego.
Não que o sumiço não o tenha me tirado antes, como nas fotos do post abaixo. Tirou e repôs, inflou de novo os pulmões que ofegavam por vento. Vento que me abafou os ouvidos para ouvir o silêncio lá longe, no cerrado.
Vento que sacudiu os bambus ao lado da casa, fazendo arrepiar e ansiar pelo jantar fumegante. Esse mesmo vento levou as nuvens para outro lugar que precisasse delas e nos deixou embaixo de um céu que, sem muito esforço, me deixou sem palavras.
Talvez fosse o vento, também, responsável por um presente inesperado, uma lembrança da grandeza do todo que contém o vento. Um presente frágil, juvenil, mas com uma força estupenda, uma energia impossível de contenção, que irradia pelo teu braço e te inebria e te amolece.
- Obrigado, pensei olhando para meu pulso, onde algo mais pulsava em sintonia.

Espero que essa grandeza que senti, assisti, toquei e agradeci, sirva a quem eu sei estar precisando.
Que sirva de abraço. Daqueles de saudade, preocupação e abrigo.
Que faça cafuné. Daqueles gentis e brincalhões.
Que aqueça. Como café e lenha no fogão.
Que anime. Igual fazem sorrisos misteriosos.
Que te empurre para a cama com uma certeza um pouco maior de que as coisas vão se resolver."






Meu eu de antes; que alguma dessas palavras te afaguem e acalmem.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

caneca vazia de café

"Tá esquisito. Estranho e desconfortável.
Desde quando acabou a aula e pisei nos corredores? Talvez, não sei precisar. Não, antes um pouco...zumbido nos ouvidos, vontade de que o mundo se calasse e eu pudesse ouvir só o vazio na minha cabeça e o frio na minha barriga. Dessa forma eu poderia, quem sabe, descobrir a causa de ambos.
Frio na barriga igual quando entrava aluna nova na sala e você se apaixonava imediatamente. Igual mas diferente, porque não estava em sala e não tinha aluna nova. Diferente também porque é algo que justamente tenho me feito evitar; gostar e pensar em ficar a fim de alguém agora. De igual mesmo só o frio na barriga.
Senta no ônibus não há música no rádio que te faça sentir melhor ou que remeta a lugares mais legais. Tudo na rua fica melancólico apesar do céu azul, lindo.
Volta a mesma imagem na mente, da professora apresentando a Fernanda, lembro até hoje. Era mesmo uma gatinha, que não deu a mínima para o que eu ou alguém mais pudesse estar pensando. Mas enfim...
O negócio é que tem algo entalado e não consegui identificar onde está e o que é.
Deve ser o dilema que tanto falam, entre a razão e o coração, aquelas coisas todas coisas que ninguém entende, nunca. Será que é uma necessidade orgânica de ter alguém, que bate de frente com a vontade de ter foco para fazer o que precisa.
Existe um meio termo nisso? Existe uma condição que concilie? Existe um lugar que acolha os dois sentimentos?
Se for realmente um gostar, porque esse gostar "oculto"? Se for um conflito, que partes estão em atrito? E se referindo a quem? O quanto os olhos têm que ser mais abertos para que se consiga enxergar tais formas?
Ou será que tenho é que fechá-los de uma vez por todas?"

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Simples assim.

"Você anda na rua e ganha um sorriso inesperado de uma mina linda e nada discreta quanto a te olhar. Só isso já basta para te botar nas nuvens durante o resto do entardecer.
Você ajuda as pessoas sem interesse e recebe uma demonstração de apreço tão bacana, que te deixa boquiaberto, pela raridade de tal coisa nos dias de hoje.
Você recebe um convite inusitado, que te faz ver as coisas por outro viés, o que te faz acordar de uma maneira diferente.
Presencia mostras sutis do reconhecimento de suas competências, e isso te dá mais gás na corrida.
Consegue fazer seu serviço render de uma maneira incomum, sem precisar, para isso, correr ou se atolar em papéis. Aí você percebe que sabe o que te ensinaram e o que porventura tenha aprendido sozinho.
Percebe que perdeu a preguiça de levantar os olhos para olhar o céu, azul e quente dessas tardes de agosto.
Nota que passou a apreciar os sabores, aromas e texturas mais do que antes, quando anestesiava seus sentidos com cerveja e comia por comer.
Sente que tem um entendimento muito mais refinado das coisas, que só aparece quando se está calado, observando detalhes.
Nota que o vento está mais doce.
Que os cachorros estão abanando mais o rabo.
Que logo vai ter jabuticaba e pitanga.
Que logo vai dar pra pegar a estrada, tanto para perto quanto para longe.
E que quando for, vai ter gente feliz por isso.
E ainda, que vai trazer um monte de fotos.

incrível o que uma volta no quarteirão te faz..."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Duvido que não vai abrir um sorriso


"Somos egoístas sim, sempre. Quanto a dinheiro, chocolates, amigos, livros e escovas de dentes. Egoístas quanto a sapatos e retratos. Três por quatro.
Egoísmos pessoais, profissionais e tudo mais. Egoístas com palavras, cores, sabores e lugares.
Até com amarguras e pesares somos egoístas. A minha dor é e sempre será maior que a alheia. Eu sofro mais, eu sinto mais, eu apanho e sou mais injustiçado que qualquer outra alma nesse mundo ou em outro.
Somos ou ficamos assim? Deixamos isso surgir e crescer involuntariamente ou adubamos essa erva a cada dia, hora, passo ou noite que sucumbimos? E por que não conseguimos desenraizá-la do canteiro? Por que sempre sobra espaço para esse egoísmo assentar?
Somos egoístas até com aquilo não nos é mais direito, não nos é mais comum ou passível de estimar, guardar, das vistas alheias ocultar.
Lembranças, medos, raivas e até sorrisos! Onde já se viu!? Não partilhar um sorriso deve levar direto ao inferno, aquele lá, quente que tanto dizem.
Mas aí te pego numa pergunta: e abraço? Você já viu alguém que não partilhe um abraço, um beijo ou um cheiro? Um brinde, uma risada na praça ou uma céu estrelado no escuro.
Isso tudo eu nunca vi ser segregado, pelo menos pra mim, que sempre que tenho a ventura de achar ou ser presenteado com algo assim, já vou logo espalhando aos quatro, cinco, todos os ventos em todas as janelas, que se não estiverem abertas, que faço abrir para berrar o que encontrei!
Espalho a fofoca dos meus achados diários; gente, bicho, planta e céu. Brigadeiro, refrigerante, figurinha e tomatinho-mijão nascido sem querer no canteiro. Tronco de jabuticabeira branco em flor, rabo abanando com o dono de barriga pra cima, lasanha, nhoque, gengibre e música.
Um algo morno que te esconda protegendo, te acalme incendiando ao redor, que coloca tua alma nos eixos e teu coração na oficina..."

Fui...

"Agora há pouco cheguei à conclusão que não vou mais.
Não vou correr atrás de quem parece estar esperando por isso.
Não vou mandar mensagem, email, recado ou sei lá mais o quê.
Não é nada pessoal, quer dizer, pessoal entre eu e alguém, é pessoal só pra mim.
Eu, faz pouco tempo, não senti mais firmeza, sabe? Senti, na verdade, que te agrada ver que gostam de você. Tem hora que parece que te agrada falar um "não" debochado na cara de quem, por acaso se declare. Por isso não vou.
Não vou também esperar sentado que a providência me traga as coisas. Vou buscá-las, bem à vista de todos. Tal qual fiz esses dias, sem receio ou timidez.
Vou buscar o que é meu por direito, estando meu nome escrito ou por escrever.
As ferramentas e oportunidades já existem, basta arregaçar as mangas e começar a cavar.
Para isso sim, eu vou. Aliás, já estou a caminho e não pretendo parar ou voltar atrás. Tampouco esperar por quem quer que seja.
Se por acaso precisar, tente seguir meus passos e subir as pedras que transpus. Não sei se vai conseguir, mas nada o impede de tentar; ficarei até feliz por servir de inspiração.
Chegou a hora de ir, mas não onde você ou qualquer outro possa esperar."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Liste-se

"Tem hora que vemos como as coisas são simples, como se traduzem em coisas simples. Como são coisas simples em essência.
Uma amiga me disse hoje: "a vida ensaiou umas respostas que sabia que iam agradar!" e é isso que justamente penso e peço agora, para mim e para todos, para uma pessoa em especial, que a vida nos dê essa resposta boa. Que nos permita esse agrado, esse afago, para que possamos continuar fazendo o que nos fez chegar até aqui, hoje, agora. Para que nos permita fazê-la cheia de coisas simples e maravilhosas. Belas e terrivelmente complexas.
Múltiplas.
Deixo aqui meu pedido a quem interessar possa. E a quem resolver caiba.
A minha parte eu deixo aqui, anotada, transcrita dos meus olhos que marejaram agora há pouco, por lembrança e por incapacidade para forçar o bem a acontecer.

Deixo aqui minha lista:
- um abraço apertado, daqueles que cobrem a gente, nos permitindo sumir do mundo por uns instantes;
- uns beijos, variados, que despertem e adormeçam, cada um à seu modo e hora;
- um bom punhado de olhares mornos, dedos cúmplices e cafunés inebriantes;
- sorrisos sem rótulo, orgânicos, colhidos no pé;

Imagino agora quem já fez a sua lista de amanhã ou "de amanhã-em-diante"; se não fez, tudo bem, copia a minha, ou me avisa, que eu trago tudo isso em dobro!"