quarta-feira, 16 de junho de 2010

MIL VISITANTES!!!

"Que legal ver esse contadorzinho aqui ao lado marcado com 1003 visitas. Deveria significar algo mais do que as visitas?
Fico me perguntando, quantas são realmente visitas? Quantas são enganos?
E dessas visitas não-enganadas, quantas será que agradaram, satisfizeram, preencheram? Provocaram saudade ou lembrança? Irritaram ou desagradaram? Comentários foram poucos, mas substanciais, alguns muito enigmáticos. Todos sempre bem-vindos.

Não sei sobre vocês, mas quanto a mim, fiquem certos que vou continuar rabiscando aqui, enquanto puder."





*Obrigado, de novo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Na boca do estômago, que arrepia.

"- E então, você vem? - disse para a amiga que há tanto não via.
- Poxa, cara, tô aqui te esperando! Vai demorar?!? - botando pressão no enrolado do fulano.
- Olha, vou te falar sério: fiquei aqui te esperando, mesmo sabendo onde você estava e que não viria. Sabia que não viria, por pena e por vergonha do que aprontou. - assim ficou registrado na secretária eletrônica.
- Não, já disse que não vamos nos ver mais. Aliás, nunca nos encontramos, portanto, não espere que eu apareça. - falou, terminando rápido para acabar algo que não devia ter começado.

É. Tem hora que penso nessas frases, sendo que talvez só tenha dito as duas primeiras, pelo que me lembre. Penso como devem ser ditas, essas e outras - até mais significativas - a todos os instantes do dia. Todos os dias.
De noite os temas talvez tornem-se mais extremos - alegria ou o oposto, preto no branco. A noite é boa pra intensificar as coisas.
Eu fico pensando em frases para dizer, se surgir a ocasião e se eu me lembrar, claro. Claro que não vou lembrar. Ocasião, como a palavra já se apresenta, é ocasião.
Nas ocasiões que tive soube dizer o que precisava ser dito, com a rispidez ou a ternura necessárias, em toda a intensidade que se pode esperar. Ouvi também respostas na mesma forma e teor.

Me pergunto se penso nessas frases por vontade de ter alguém para dizer ou apenas porque tenho imaginação fértil. Acho que um pouco dos dois, dessa vez sem pender para nenhum lado. Posso dizer com certeza que já tive momentos de dizer coisas assim, bonitas e inspiradoras. E posso dizer também que foram apenas momentos, em um caso ou outro. Bons e maus, dignos ou não de saudade. Tive e bastaram.
Houve também quase momentos, quase suspiros e palavras engasgadas, balbuciadas de cabeça baixa. Tive e tenho quase saudades, se é que isso existe. Que já tive um quase amor, isso é fato. Parece estranho, mas tive. Se ainda o tenho? Não sei responder. Acho que não tenho e nem terei a resposta. Nem sei se quero tal resposta.

Quero seguir, perguntando a mim mesmo o como seria das coisas, pessoas e lugares. O estranhar e entranhar antes durante e depois. Entranhar - dá frio na barriga isso.
Quero seguir assim, sorrindo besta para o céu em plena segunda-feira, fingindo que sou o Jimi hendrix do ponto de ônibus, o cronista do quarteirão.
Desse jeito eu levo bem as coisas, ou ao menos tenho levado, aprendendo à medida que sigo."

domingo, 13 de junho de 2010

Frio e 12 de junho

"Lá vem um post reclamão e depressivo. Não, nem tanto assim.
Contente por estar assim, sozinho, hoje? Não, claro que não. Mas reparou que usei 'sozinho' e não 'solteiro'? É, bem por aí...não digo o clássico, antes só do que mal acompanhado, mas digo que espero que uma hora eu divida os dias com alguém de verdade. Estar e juntar e fazer apenas por conveniência ou carência não é minha praia.
Ser junto é mais legal.

Hoje fiz coisas que não fazia há tempos - de visitar a casa de minha vó e minhas tias, conversar com papagaios, comer as primeiras jabuticabas temporonas e botar o jabuti pra andar, entre mil coisas mais. Sentar no sol sem pensar em nada, apenas em deixar-se inundar por aquele calor gostoso, intenso, contrastante com o vento frio da manhã. Chegar na cozinha e respirar fundo os vapores do refogado - alho e cebola roxa. Buscar isso e aquilo, ajudar, levantar e guardar. Esquentar o corpo e a alma. Encher o prato, repetir e repetir de novo.
Modéstia às favas, porque está tudo uma delícia!

Barriga cheia, pé na areia e direto pro bar. Cerveja e conversas. Sem dó e abusando da copa do mundo que me dá essa razão. Finjo que entendo de futebol, palpite e tudo mais. Risadas altas, contagiantes. Como sei e adoro fazer. Simplicidade em tudo, no pastel, no jiló, no copo e na acolhida. Pessoas boas, falíveis, também.

Voltar pra casa, comer de novo - terceiro, quarto tempo de prato. Deitar com preguiça e sem vergonha. Deixar os estudos para mais logo. Se enrolar nos cobertores, fazer o sábado parecer domingo à tarde. Acordar, parar de enrolar e se levantar. Lavar a cara e inventar algo. Tomar algum rumo, arrumar alguma coisa, dobrar uma camisa que seja. Retomar a música, dançar pelo corredor, sorrir pras paredes, feito bobo. Fiz isso sim.

Calçar sapato, pegar a chave e botar o pé na rua sem imaginar se ou aonde vai parar. Seguir, sentir e decidir.
Parar ali, onde hoje já esteve, rever caras sumidas, abraçar, sentir calor nesses abraços.

Fui, voltei, saí de novo, andei um bocado depois.
Parei aqui e ali, sentei, pensei, senti e voltei.
Estou aqui.
Modéstia às favas, ser junto é mais legal. Retomar a música, como sabemos e adoramos fazer."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"Ele já chegou quieto, calmo demais. Sentou no banco de cimento gelado, de costas para o sol, esperando que as portas se destrancassem e ele pudesse se aquietar lá dentro. Última cadeira, segunda fila.
Todos vão chegando, sonolentos e encolhidos debaixo dos moletons. Passam também grupos de outros, talvez mais jovens, e com certeza, muito mais felizes. Isto lhe faz repensar e relembrar tudo à sua volta, daqui até a porta de casa - o que ele tinha esquecido por um momento. Tinha conseguido sumir sem perder-se - concordava e completava frases, ria como se a conversa lhe causasse risadas. Ao mesmo tempo, estava em paz, neutro em si mesmo, sem pensamentos ativos.
Num instante já estava lá dentro, sentado, quieto e inquieto. Estava apreensivo e tentava racionalizar o motivo. Já sabia que não era pelo motivo que imaginava. Lembrou-se de uma ex-namorada que costumava dizer: "Quando fico assim, estranha, é porque algo de ruim vai acontecer." Estranho que o namoro terminou e ele trouxe isso consigo - a inquietação como aviso e as câimbras como castigo. Com o tempo aprendeu a usá-los a seu favor.
Noutro instante, tudo já ia acontecendo, se via de fora, sentado na janela às suas costas, olhando por cima de sua cabeça careca a aula e os debates inflamados sobre temas supérfluos.
Sua cabeça, ali na frente, fervilhava de divagações e comentários sobre os assuntos. Citava exemplos, rebatia respostas e até arriscava prever os rumos da conversa. Pensava em outras abordagens, esquecidas pela turba que expunha seus conhecimentos e pontos de vista. Isso tudo ele viu, dali da janela, alheio.
Dali ele pensava em simplicidade. Pensava em sair, pela janela mesmo, para outros endereços. Dali saíam soluções mais sensatas e humanas para seus próprios problemas. Ou pelo menos soluções em potencial. Sentado na janela atrás da última cadeira da segunda fila ele suspirou fundo e engoliu um suspiro engasgado que lhe vinha juntar com seu duplo ali embaixo. Evitou ser tragado de volta para a rotina que já o consome sem nenhuma satisfação.
Nesse instante fez-se uma pausa. Na aula, nas falas e nas tensões. Sorrisos de verdade surgiram em vários rostos, braços se espreguiçaram rumo ao sol bobo da manhã. Ele ainda se demorou ali, remexendo papéis que deveria devolver: um primeiro passo?
Devolvidos os papéis, pensou num café e se foi. Sentou-se com os seus. Nessa hora tudo se separou novamente, e ele se viu lá de cima, da beiradinha de alguma nuvem, olhando as conversas e risadas ali embaixo. Sorriu.
Desceu da sua nuvem, buscou suas coisas - água, papel e música - e tomou seu rumo. Não saiu à francesa, mas também não explicou suas razões. Um até amanhã bastou.
Um aceno, um olhar individual a quem olhava, uma explicação velada para aqueles que a pediram."

terça-feira, 8 de junho de 2010

"Just go for a ride...boa temática essa. tenho gostado e visto como tenho feito isso cada vez com mais frequência. e tenho visto e admitido o quanto tem me feito bem.

não tenho que arrumar namorada e, ao mesmo tempo, não tenho que ficar sozinho.
não tenho que guardar tanto rancor assim. e mesmo que eu guarde, que lembre ou faça pouco uso dele.
não preciso fazer sempre o melhor de mim. não preciso ter sempre um comentário inteligente na ponta da língua.
não tenho que lembrar de tudo.
não tenho que ir a todos os lugares ou ficar mais do que o que programado. também não tenho que ficar programando coisas, sejam elas: namoro, rolo, festa, cerveja, emprego, prova, post no blog ou hora de dormir.
não tenho que me sentir magoado, mas também não tenho que negar se me sentir assim.
não tenho sono e tem hora que não tenho é vontade de acordar.
tenho saudades mas não tenho que dar um nome a elas.
tenho coisas que precisam ser feitas, tenho coisas que poderia ter feito e não fiz, tem coisas que não deveria fazer e fiz assim mesmo.

tenho todas essas paranóias, mas não ligo se as cumpro, as faço, as apago.
tenho certeza de três coisas: sou humano, bom e falível."

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"Foi lá com a intenção de amarrar as pontas soltas, como dizem por aí. Foi, chegou, olhou, buscou e abraçou. Sorriu, cantou e até chorou.
Teve hora que pensou em estender a estada, teve hora que quis nem ter ido.
No fim das contas, percebeu que na verdade, foi lá e desamarrou de vez as pontas. Desfez alguns laços criando outros. Desatou nós na garganta e aqueceu frios na barriga com abraços e beijos na testa.
Levou-se por todos os cantos que precisava ir ou que acabaram sendo visitados.
Reviu-se em pessoas há muito perdidas, reviu-se no passado, na mesmice que não desaparecera. Reviu-se e alegrou-se por admitir que amadurecera.
Entristeceu-se, em parte, por perceber que outros, tão cheios de potencial, continuavam iguais.
Apertou novas mãos de outras terras, comuns na coincidência.
Voltou-se para a direção de casa, respirou fundo o ar frio da manhã luminosa e atou às costas as alças da mochila, que pedia, inquieta, para cair de novo na estrada.
Fechou a porta atrás de si e desceu as escadas, de volta ao beliche, à colcha de retalhos, à sua janela e a sua nova vida."

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Tem hora que o melhor a fazer é calar, Já tinha ouvido isso várias vezes; hoje constatei.
Constatei que silêncio te ajuda a conseguir visualizar o todo das coisas. Desde coisinhas bobas, brancas, até coisas que achamos enormemente ininteligíveis e poluídas.
Entende-se os todos que ali estão, se exibindo e zombando da nossa dificuldade em os ler.

Agora devo tentar outro patamar - o de transmitir esse silêncio a quem possa precisar. Um apoio nas costas antes de subir degraus altos ou uma mão estendida para vencer um
barranco.
Pretendo estar lá, à espera por quem quer que seja.
Em silêncio, sorrindo e disposto."