"Conversas extensas em noites abafadas. Belo Horizonte é isso, pelo menos pra mim sempre foi. Conversas que fluem por campos e florestas, conversas leves e densas.
Conversas sobre expectativas, vívidas ou fugidias, que não nos deixam em paz, por mais que queiramos.
Conversas, às vezes tensas, que deixam à mostra nosso âmago simples e sincero, incontrolavemente sincero. Doce até.
Deixa à mostra nossa vontade e desejo de bem. Nosso anseio pela beleza e pelo sorriso, pelo calmo e, de novo, pelo sincero.
Conversas que evidenciam a dádiva de boas noites de sono, precedidas por uma volta pra casa segura. Precedidas por sinais simples de entendimento e cumplicidade.
Belo Horizonte de conversas que não chega a todos nós.
Seria bom se chegasse."
sábado, 20 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
"Relações sociais têm me parecido uma ameba, molenga e fluida, estendendo seus pseudópodos em direções diversas, inesperadas. Sempre surpreendentes. Se olharmos de cima nossa vida, vamos perceber que de tempos em tempos, nossos braços se estendem para direções diferentes, às vezes novas, às vezes já traçadas antes. E, por vezes, até deixam de passar por sobre certas áreas, como se ali houvesse algo perigoso.
Olhando com outro filtro ou lente, tudo que somos ou fazemos age de tal forma, ou disforma, se é que me entende. Tudo se projeta a outros abismos, a outras escadarias e outras janelas.
Tudo que somos persegue outros sorrisos, outros afagos e novas palavras.
Persegue chuvas mais frias, chovidas em outras cidades, entre pessoas que não são nossos comuns. Entre mil e um abraços vindo dos quatro cantos do mundo.
Perseguimos sabores diferentes a cada passo, e nos surprendemos quando o amargo nos agrada e ilumina.
Buscamos tudo sem saber o que realmente precisamos, apenas do que queremos ali, naquele ímpeto.
E não é que nos satisfazemos?
Não é curioso respirar sorrindo por um cansaço imprevisto? Um cansaço fruto da mais sincera comunhão de momentos. Sincronia desencadeada pelo susto, pela risada, pela vida em si. Vida que nos infla e nos guia em meio aos matagais e telhados. Vielas, colchões e calçadas."
Olhando com outro filtro ou lente, tudo que somos ou fazemos age de tal forma, ou disforma, se é que me entende. Tudo se projeta a outros abismos, a outras escadarias e outras janelas.
Tudo que somos persegue outros sorrisos, outros afagos e novas palavras.
Persegue chuvas mais frias, chovidas em outras cidades, entre pessoas que não são nossos comuns. Entre mil e um abraços vindo dos quatro cantos do mundo.
Perseguimos sabores diferentes a cada passo, e nos surprendemos quando o amargo nos agrada e ilumina.
Buscamos tudo sem saber o que realmente precisamos, apenas do que queremos ali, naquele ímpeto.
E não é que nos satisfazemos?
Não é curioso respirar sorrindo por um cansaço imprevisto? Um cansaço fruto da mais sincera comunhão de momentos. Sincronia desencadeada pelo susto, pela risada, pela vida em si. Vida que nos infla e nos guia em meio aos matagais e telhados. Vielas, colchões e calçadas."
"A insistência em receios pré-existentes mostra-se real e indubitável a cada minuto que suporta-se.
Arrependimentos já sabidos e resignações duradouras entram em combate, deixando, mais uma vez, dúvida e inquietação dolorosa.
Teimosia, esperança ou talvez só ingenuidade voluntária. Vã tentativa de fazer com que tudo seja essa maravilha de que tanto falam.
Tempos de constatação inegável e vontades deixadas na esquina."
São João del Rei, 16/02/2010
Arrependimentos já sabidos e resignações duradouras entram em combate, deixando, mais uma vez, dúvida e inquietação dolorosa.
Teimosia, esperança ou talvez só ingenuidade voluntária. Vã tentativa de fazer com que tudo seja essa maravilha de que tanto falam.
Tempos de constatação inegável e vontades deixadas na esquina."
São João del Rei, 16/02/2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Epílogo
"Duas semanas. Nada mais do que isso. Duas semanas de raivas, surpresas, lágrimas, forças e vontades. Decisões tomadas.
Duas semanas durante as quais eu senti e bebi e comi da mais verdadeira amizade e felicidade que jamais tive capacidade de conceber.
Sorriso só por acordar, igual cachorro, sorriso e só. De barriga e alma cheias, lotadas. Transbordando de sorrisos que não deixam dormir; e que ficaria insone por todos estes sempre que for preciso."
Duas semanas durante as quais eu senti e bebi e comi da mais verdadeira amizade e felicidade que jamais tive capacidade de conceber.
Sorriso só por acordar, igual cachorro, sorriso e só. De barriga e alma cheias, lotadas. Transbordando de sorrisos que não deixam dormir; e que ficaria insone por todos estes sempre que for preciso."
Dezoito.
"Não quis vê-lo. Esquiva-se até hoje. Não disse o por quê e também não deixou transparecer em sua voz.
Pergunta-se ainda os motivos, mais por apego à razão e à logica doq ue por saudade ou exigência.
Mas, mesmo perguntando, sabe que não deseja, não precisa de resposta alguma; não vai mais fazer diferença.
Percebe que tem se tornado mais e mais forte frente a tais embates. Sua voz não hesita e seus tremores são fruto do remédio, que sozinho e aos poucos torna-se obsoleto.´
À medida que os dias passam, percebe que não espera por mais ninguém. nâo busca uma musa ou uma deusa. Busca e tem encontrado a si, a cada passo que dá. Hoje e para sempre."
Pergunta-se ainda os motivos, mais por apego à razão e à logica doq ue por saudade ou exigência.
Mas, mesmo perguntando, sabe que não deseja, não precisa de resposta alguma; não vai mais fazer diferença.
Percebe que tem se tornado mais e mais forte frente a tais embates. Sua voz não hesita e seus tremores são fruto do remédio, que sozinho e aos poucos torna-se obsoleto.´
À medida que os dias passam, percebe que não espera por mais ninguém. nâo busca uma musa ou uma deusa. Busca e tem encontrado a si, a cada passo que dá. Hoje e para sempre."
Poços de Caldas, 12 de janeiro
"Amores são justiças que se devem a quem se ama, a quem se é. Ser juntos, agarrados. Vigiando seus contornos velando seu sono e sonhos.
Amores e justiças que devem-se ser, mesmo após o fim. Depois do último abraço, sorriso, afago, desaforo ou suspiro. Depois da última lembrança ser atenuada. Devem-se sempre, enquanto alguém espera ou é esperado.
Justiças e amores devem-se até mesmo por surpresas ou calúnias. Devem-se e trocam de lugar e de dono. De alvo. Justiças fazem-se por seu dever, sua razão. Justiças e amores confusos, mal-entendidos e até mesmo inexistentes. Amores amigos, irmãos. Amores que pura e simplesmente despontam, duram vidas e idades, muitas vezes duram mais. Douram, iluminam, despertam. Que nos roubam sonos e sonhos ao mesmo tempo que embalam nossa noite num ninar morno, silencioso."
Amores e justiças que devem-se ser, mesmo após o fim. Depois do último abraço, sorriso, afago, desaforo ou suspiro. Depois da última lembrança ser atenuada. Devem-se sempre, enquanto alguém espera ou é esperado.
Justiças e amores devem-se até mesmo por surpresas ou calúnias. Devem-se e trocam de lugar e de dono. De alvo. Justiças fazem-se por seu dever, sua razão. Justiças e amores confusos, mal-entendidos e até mesmo inexistentes. Amores amigos, irmãos. Amores que pura e simplesmente despontam, duram vidas e idades, muitas vezes duram mais. Douram, iluminam, despertam. Que nos roubam sonos e sonhos ao mesmo tempo que embalam nossa noite num ninar morno, silencioso."
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
"Ano novo, vida nova e foda-se ligado. Rotina nova, cerveja velha.
Expectativas? Nem pensar.
Vontades, sim, todas a serem cumpridas e satisfeitas. E nada de miséria.
Comer, beber, sentir e olhar.
Calar, pegar, testar.
Aprender de novo, desistir da teimosia, mas não de toda ela.
Caminhar e correr, sambar e pular. Voar? Nem, tá batido, já.
Ouvir tudo e descartar quase isso. Desouvir.
Despertar e respirar fundo, sentir o que vier. Ou o que estiver por vir.
Livrar-se e aos outros de temores e ansiedades, de medos e chiados.
Semear abraços e copiar sorrisos.
Algo assim as resoluções de ano novo que pensei em tomar..."
Expectativas? Nem pensar.
Vontades, sim, todas a serem cumpridas e satisfeitas. E nada de miséria.
Comer, beber, sentir e olhar.
Calar, pegar, testar.
Aprender de novo, desistir da teimosia, mas não de toda ela.
Caminhar e correr, sambar e pular. Voar? Nem, tá batido, já.
Ouvir tudo e descartar quase isso. Desouvir.
Despertar e respirar fundo, sentir o que vier. Ou o que estiver por vir.
Livrar-se e aos outros de temores e ansiedades, de medos e chiados.
Semear abraços e copiar sorrisos.
Algo assim as resoluções de ano novo que pensei em tomar..."
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