"Ano novo, vida nova e foda-se ligado. Rotina nova, cerveja velha.
Expectativas? Nem pensar.
Vontades, sim, todas a serem cumpridas e satisfeitas. E nada de miséria.
Comer, beber, sentir e olhar.
Calar, pegar, testar.
Aprender de novo, desistir da teimosia, mas não de toda ela.
Caminhar e correr, sambar e pular. Voar? Nem, tá batido, já.
Ouvir tudo e descartar quase isso. Desouvir.
Despertar e respirar fundo, sentir o que vier. Ou o que estiver por vir.
Livrar-se e aos outros de temores e ansiedades, de medos e chiados.
Semear abraços e copiar sorrisos.
Algo assim as resoluções de ano novo que pensei em tomar..."
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
"O jornalista Tomás Eloy Martínez cita as mulheres como sóis nos quais a noite jamais pousa. Sim.
Sóis. Irradiantes de força e acontecimentos, criadores de sentimentos e sentidos.
Mulheres também são noites, e isso quem diz sou eu. Noites puras, negras. Noites com ou sem estrelas, que não nos deixam desvelar seus segredos, a não ser que assim desejem,criando em nosso horizonte a passagem enigmática de uma estrela cadente.
Isso nos esclarece confundindo ainda mais, já que o brilho logo se desfaz, deixando um novo manto de segredos encobrindo as perguntas recém-respondidas.
Essa constante alternância entre lampejos de entendimento e silêncios de curiosidade nos faz amá-las tanto e sempre. Nos faz esperar eventos espetaculares - chuvas de meteoros e auroras boreais - que iluminem teus sorrisos e meus olhos."
Sóis. Irradiantes de força e acontecimentos, criadores de sentimentos e sentidos.
Mulheres também são noites, e isso quem diz sou eu. Noites puras, negras. Noites com ou sem estrelas, que não nos deixam desvelar seus segredos, a não ser que assim desejem,criando em nosso horizonte a passagem enigmática de uma estrela cadente.
Isso nos esclarece confundindo ainda mais, já que o brilho logo se desfaz, deixando um novo manto de segredos encobrindo as perguntas recém-respondidas.
Essa constante alternância entre lampejos de entendimento e silêncios de curiosidade nos faz amá-las tanto e sempre. Nos faz esperar eventos espetaculares - chuvas de meteoros e auroras boreais - que iluminem teus sorrisos e meus olhos."
domingo, 27 de dezembro de 2009
"Um dia confuso, parado. Parece que mesmo lavando o rosto, o sono ainda persiste.
Um sono pesado, que nos faz arrastar pelo dia e a tarde, nos faz pensar demais, lembrar mais ainda.
Dia cinza, chuvoso agora, começo de noite sem distinção, sem as marcas de algum pôr-do-sol.
Dia preenchido por pensamentos e conversas imaginárias, possíveis ou não, desejadas e não.
Calor e suor, memórias recentes, pegajosas mas nem por isso incômodas. Saudades e afins.
Um dia que tirou o gosto das coisas, o sabor e os aromas. Tirou a luz dos objetos e deixou tudo sem contraste ou definição. Capítulos que não satisfazem, linhas que não se completam, não nos completam."
Um sono pesado, que nos faz arrastar pelo dia e a tarde, nos faz pensar demais, lembrar mais ainda.
Dia cinza, chuvoso agora, começo de noite sem distinção, sem as marcas de algum pôr-do-sol.
Dia preenchido por pensamentos e conversas imaginárias, possíveis ou não, desejadas e não.
Calor e suor, memórias recentes, pegajosas mas nem por isso incômodas. Saudades e afins.
Um dia que tirou o gosto das coisas, o sabor e os aromas. Tirou a luz dos objetos e deixou tudo sem contraste ou definição. Capítulos que não satisfazem, linhas que não se completam, não nos completam."
sábado, 26 de dezembro de 2009
Ontem
"Não foi forçado nem nada. Foi bom e isso bastou. Viu e fez e disse coisas boas. Sentiu coisas boas e ruins também. Mas sentiu, e isso também lhe bastou.
Pensou em amor quando viu casais na rua, numa cena bonita e quase inesquecível. Em especial, um casal ao longe, numa rua vazia, lavada pela chuvarada da tarde, andando de braços dados, contra a luz amarela dos postes da mesma rua. Não se via rostos ou cores, apenas a sombra de suas silhuetas que denunciavam sua presença ali.
Percebeu o amor ali, e teve vontade de dizer: "Meu amor." a alguém, talvez ao próprio casal.
Meu amor, no sentido de uma parte de si, indissociável, tal como um braço ou perna. Um amor seu, de ambos, não uma posse, mas um estado, uma razão.
Meu ou seu amor, todo, resumido, se fosse possível, em ombro, pescoço e colo. Resumido em carinho, suspiro e olhares.
Resumido num amor em paz. Amor quieto, calmo e que acalma. Amor para se deitar e dormir seguro, encolhido no abraço que te protege.
Amor assim."
Pensou em amor quando viu casais na rua, numa cena bonita e quase inesquecível. Em especial, um casal ao longe, numa rua vazia, lavada pela chuvarada da tarde, andando de braços dados, contra a luz amarela dos postes da mesma rua. Não se via rostos ou cores, apenas a sombra de suas silhuetas que denunciavam sua presença ali.
Percebeu o amor ali, e teve vontade de dizer: "Meu amor." a alguém, talvez ao próprio casal.
Meu amor, no sentido de uma parte de si, indissociável, tal como um braço ou perna. Um amor seu, de ambos, não uma posse, mas um estado, uma razão.
Meu ou seu amor, todo, resumido, se fosse possível, em ombro, pescoço e colo. Resumido em carinho, suspiro e olhares.
Resumido num amor em paz. Amor quieto, calmo e que acalma. Amor para se deitar e dormir seguro, encolhido no abraço que te protege.
Amor assim."
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
"É ou foi inevitável. Volta-se a sentir uma tristeza chata, persistente - por vezes infundada. Volta-se a lembrar de outras horas e varandas, sofás, canecas, chuvas, melodias e gentes.
Geralmente não gosta-se de pensar em tais coisas, não gostamos de ver nossa miséria emocional, o quão fracos podemos ser.
Pessoas solitárias parecem-se tão cheias de algo a dizer, tão lotadas de conhecimento e ensinamento, que chega a parecer errado tirar delas sua solidão que é, ao mesmo tempo sua bagagem. Não bagagem no sentido de fardo, mas no sentido de conteúdo, vivência.
Relendo o que escrevi nesses últimos dias, revejo também como temos nossos momentos de solitude. Momentos de aprendizado e ensinamento que nem sempre percebemos. Nessa hora o "faz parte" realmente faz parte, sentido. Fazemos parte dele. Nos falta o estalo para percebê-lo como nossa parte.
Por fim, não gostei daquele filme, "Marley e eu". Não porque dizem que o cachorro morre no final, mas porque o filme fala mais dos donos que não demonstram um pingo de carinho pelo cachorro e do roteiro que só mostra as merdas que o cachorro faz ou provoca. Filme idiota, rs."
Geralmente não gosta-se de pensar em tais coisas, não gostamos de ver nossa miséria emocional, o quão fracos podemos ser.
Pessoas solitárias parecem-se tão cheias de algo a dizer, tão lotadas de conhecimento e ensinamento, que chega a parecer errado tirar delas sua solidão que é, ao mesmo tempo sua bagagem. Não bagagem no sentido de fardo, mas no sentido de conteúdo, vivência.
Relendo o que escrevi nesses últimos dias, revejo também como temos nossos momentos de solitude. Momentos de aprendizado e ensinamento que nem sempre percebemos. Nessa hora o "faz parte" realmente faz parte, sentido. Fazemos parte dele. Nos falta o estalo para percebê-lo como nossa parte.
Por fim, não gostei daquele filme, "Marley e eu". Não porque dizem que o cachorro morre no final, mas porque o filme fala mais dos donos que não demonstram um pingo de carinho pelo cachorro e do roteiro que só mostra as merdas que o cachorro faz ou provoca. Filme idiota, rs."
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
"Ontem saiu para comprar pão, mas saiu contra gosto e contra vontade. Estava chovendo e ele preferia ficar deitado, misturado aos seus lençóis, fundido à sua preguiça.
Teimou em vestir blusa ou casaco, botas ou mesmo um chapéu. Teimando, saiu.
Chovia uma chuva estranha, nem quente nem fria, nem grossa nem fina. Apenas chovia, e isso era o que causava a inquietude.
O caminho até a padaria era curto e, geralmente, ele podia sentir o cheiro das guloseimas, quente no ar, logo quando virava a esquina. Dessa vez não. Dessa vez não sentiu.
O que sentiu foi o cheiro das árvores, cheiro-verde, por assim dizer. Sentiu o aroma das gotas que conseguiam vencer a barreira das folhas, daquelas que despencavam aos solavancos após uma ave alçar seu vôo ou mesmo o cheiro das gotas que desciam, todas unidas, tronco abaixo.
Sentiu e parou, estacado, abaixo de uma grande árvore, imponente e cansada sob o peso de suas folhas viçosas e seus galhos idosos. Parou ali, atrapalhando a passagem das senhoras e suas sombrinhas, afrancesadas com seus trejeitos. Parou e olhou para cima, sem nenhum receio ou cerrar de olhos para alguma gota que viesse lhe saudar. Olhou e viu acima de si o céu mais azul que poderia conceber.
Descobriu que a chuva já parara há algum tempo, tal como ele, que ficou ali, fincado, sentindo, sem se dar conta da situação. Ficou, se molhou encharcando, e se descobriu sorrindo.
De repente, virou a cabeça, como que empurrado por uma mão invisível - era o cheiro do pão que saía chiando do forno, e que lhe chamava, avisando que a tarde apenas começava e que era preciso um café novo para acompanhá-lo."
Teimou em vestir blusa ou casaco, botas ou mesmo um chapéu. Teimando, saiu.
Chovia uma chuva estranha, nem quente nem fria, nem grossa nem fina. Apenas chovia, e isso era o que causava a inquietude.
O caminho até a padaria era curto e, geralmente, ele podia sentir o cheiro das guloseimas, quente no ar, logo quando virava a esquina. Dessa vez não. Dessa vez não sentiu.
O que sentiu foi o cheiro das árvores, cheiro-verde, por assim dizer. Sentiu o aroma das gotas que conseguiam vencer a barreira das folhas, daquelas que despencavam aos solavancos após uma ave alçar seu vôo ou mesmo o cheiro das gotas que desciam, todas unidas, tronco abaixo.
Sentiu e parou, estacado, abaixo de uma grande árvore, imponente e cansada sob o peso de suas folhas viçosas e seus galhos idosos. Parou ali, atrapalhando a passagem das senhoras e suas sombrinhas, afrancesadas com seus trejeitos. Parou e olhou para cima, sem nenhum receio ou cerrar de olhos para alguma gota que viesse lhe saudar. Olhou e viu acima de si o céu mais azul que poderia conceber.
Descobriu que a chuva já parara há algum tempo, tal como ele, que ficou ali, fincado, sentindo, sem se dar conta da situação. Ficou, se molhou encharcando, e se descobriu sorrindo.
De repente, virou a cabeça, como que empurrado por uma mão invisível - era o cheiro do pão que saía chiando do forno, e que lhe chamava, avisando que a tarde apenas começava e que era preciso um café novo para acompanhá-lo."
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
"Recebendo uma ótima notícia hoje (depois eu acabo contando qual foi), percebo que minha ficha ainda não caiu. E fico meio para baixo com isso, meio que frustrado.
Não caiu quanto a me virar, sozinho, desacompanhado de alguém especial a quem contar essa notícia tão boa. Parece que a notícia em si perde a graça e passo o dia todo com olhar besta de quem perdeu, e não de quem tenha ganhado alguma coisa.
Me vieram coisas como estímulo mútuo, compartilhar e sorrir, coisas do tipo.
Mesmo assim não consegui digerir isso ainda. Uma coisa para a qual me dediquei durante todo esse ano que passou, e mesmo assim não fiquei assim, muito animado...sei lá.
O que quero dizer não é que estou triste, nem que me chateou lembrar de alguém que não merece e que sei não dar mínima para tudo isso. Mesmo que desse, não me diz mais respeito.
Não gostei foi de deixar essa carência boba vir à tona, deixar ela quase tomar conta, desanimando o dia, pesando os olhos e dando vontade de dormir.
Tudo bem, vou achar alguém, aquele bom amigo, que mereça ouvir a notícia e que vai retribuir, vai recompletar.
Quanto a alguém para amar, ainda espero por uma boa notícia."
Não caiu quanto a me virar, sozinho, desacompanhado de alguém especial a quem contar essa notícia tão boa. Parece que a notícia em si perde a graça e passo o dia todo com olhar besta de quem perdeu, e não de quem tenha ganhado alguma coisa.
Me vieram coisas como estímulo mútuo, compartilhar e sorrir, coisas do tipo.
Mesmo assim não consegui digerir isso ainda. Uma coisa para a qual me dediquei durante todo esse ano que passou, e mesmo assim não fiquei assim, muito animado...sei lá.
O que quero dizer não é que estou triste, nem que me chateou lembrar de alguém que não merece e que sei não dar mínima para tudo isso. Mesmo que desse, não me diz mais respeito.
Não gostei foi de deixar essa carência boba vir à tona, deixar ela quase tomar conta, desanimando o dia, pesando os olhos e dando vontade de dormir.
Tudo bem, vou achar alguém, aquele bom amigo, que mereça ouvir a notícia e que vai retribuir, vai recompletar.
Quanto a alguém para amar, ainda espero por uma boa notícia."
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